
Veja como foi o Diálogos A Vida no Centro – Especial Retrofit no Centro de SP; gravação na íntegra
Evento reuniu representantes da Prefeitura, setor imobiliário, economia criativa e movimento social para discutir caminhos para tornar o Centro mais habitado, dinâmico e vibrante; assista à gravação na íntegra
O retrofit é hoje um dos principais instrumentos para a requalificação do Centro de São Paulo, mas é preciso que o seu avanço combine escala com uma política pública que preserve a diversidade social e econômica nos empreendimentos da região. Essa foi a tônica do Diálogos A Vida no Centro – Especial Retrofit, realizado no dia 13 de abril, no CCBB-SP.
Organizado pelo A Vida no Centro ecom casa lotada, o encontro reuniu representantes da Prefeitura, setor imobiliário, economia criativa e movimento social para discutir caminhos para tornar o Centro mais habitado, socialmente justo e vibrante.
Participaram do evento Fabricio Cobra, secretário municipal das Subprefeituras e coordenador do programa Todos pelo Centro; Carmen Silva, líder do Movimento Sem-teto do Centro (MSTC) e do retrofit do Hotel Cambridge; Bruno Scacchetti, CEO da incorporadora Metaforma, dona do empreendimento Basílio 177; Isadora Rebouças, CEO da Citas, que faz aluguel de apartamentos em retrofits; e Fabio Balestro Floriano, sócio do Grupo Tokyo e responsável pela concessão do terraço do Martinelli. A curadoria e mediação foram feitas pelos jornalistas Denize Bacoccina e Clayton Melo, fundadores da plataforma A Vida no Centro.
Logo na abertura, Clayton Melo relembrou a origem da plataforma, criada em 2017 a partir de um incômodo com a forma como o Centro era retratado. “O Centro sempre foi muito maior do que os seus problemas”, afirmou, destacando o propósito do A Vida no Centro de contar as histórias de quem faz, vive e transforma a região e, assim, despertar um novo olhar das pessoas para o Centro e a cidade.
Ao longo de cerca de três horas, o evento abordou diferentes perspectivas sobre o o Centro e o papel dos retrofits na região.
Fabrício Cobra: a polêmica concessão do Anhangabaú e a política da prefeitura para os retrofits
A jornalista Denize Bacoccina iniciou a entrevista com o secretário Fabrício Cobra abordando um tema polêmico e que tem atraído a atenção da população: a concessão do Vale do Anhangabaú.
Nos últimos dias, surgiu a noticia de que a Prefeitura suspendeu a concessão com a concessionária, a empresa Viva o Vale, que já foi multada 32 vezes em um valor que pode chegar a R$ 1,5 milhão, por barulho excessivo ou uso inadequado do espaço.
Questionado sobre a situação da concessão do espaço, Cobra disse que ainda não há uma decisão definitiva.
“Foi aberto um processo administrativo, chamado de caducidade, em que a Prefeitura aponta uma série de falhas. A concessionária tem direito de defesa, e só ao final desse processo é que o governo vai se manifestar sobre o que vai acontecer”, explicou.
Na sequência, a conversa avançou para o que o próprio secretário classificou como o principal desafio estrutural da região: a ocupação dos edifícios vazios. “O maior desafio do Centro de São Paulo é exatamente como ocupar esses prédios antigos”, disse.
Para viabilizar esse movimento, a Prefeitura estruturou o Programa Requalifica Centro, com incentivos fiscais para estimular o retrofit. “O mercado sempre colocou que era muito mais simples fazer um prédio novo no terreno vazio do que ter que fazer uma reforma num prédio antigo”, afirmou. “Então, a Prefeitura veio com isenção de IPTU, isenção de ITBI, redução do ISS para obra, um pacote de ações, para que o mercado se interessasse em fazer esse retrofit.”
Projetos em andamento
Do lado do mercado, Bruno Scacchetti, responsável pelo projeto Basílio 177, reforçou o potencial de transformação urbana desses projetos, enquanto Isadora Rebouças, da Citas, cujos retrofits seguem o modelo de locação, destacou a importância de criar novos usos para edifícios que perderam função ao longo do tempo, apontando o retrofit como uma oportunidade concreta de reativar a região.
Já Fabio Balestro Floriano, do Grupo Tokyo, chamou atenção para o papel da economia criativa e da ocupação cultural nesse processo, reforçando que a dinamização do Centro passa também por ativar os espaços com novos fluxos e experiências.
Carmen Silva, líder do MSTC e criadora da Cozinha Ocupação 9 de Julho, trouxe a perspectiva dos movimentos de moradia e de quem já atua, na prática, na reocupação de edifícios no Centro.
Ela explicou como funciona o retrofit do antigo Hotel Cambridge, empreendimento cuja gestão é feita pelo MSTC. “Em 2012, isso vem também com uma discussão ainda com o governo Kassab, nós resolvemos ocupar um prédio que já estava totalmente pertencente à COHAB, que é a Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo, e que estava abandonado, continuava abandonado”, disse. “E então participamos de um edital de chamamento com a Prefeitura de São Paulo, em que tivemos a colaboração da Prefeitura, ganhamos o chamamento, fomos o único movimento que teve mais pontuação, concorrendo, inclusive, com o mercado”, afirmou Carmen. “Hoje, o antigo Hotel Cambridge é o Residencial Cambridge, onde moram 121 famílias.”
A produção audiovisual foi feita pela produtora WT1 Digital.
Assista à gravação na íntegra do Diálogos A Vida no Centro.

