Sexta-feira, 30 de outubro de 2026
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Teatro

Tóxicas, no Teatro Commune

Cena da peça Tóxicas

Divertida e contagiante, com uma sequência de acontecimentos cômicos, términos amorosos, viagens, demissões impulsivas e rituais de superação, Tóxicas se vale do bom humor, da sensibilidade e de recursos da palhaçaria para tratar de questões como dependência emocional, necessidade de validação, competitividade afetiva e medo do abandono. O espetáculo estreia para duas apresentações dias 7 e 8 de novembro no Teatro Commune.

A trama acompanha a relação intensa e simbiótica das personagens Rúbia e Beatriz, não por acaso nomes das atrizes em cena – o duo criativo da Cabocla Sertaneja, formado por Rúbia Abati e Beatriz Fonseca, dirigidas por André Pottes. O ator Victor Godoy faz todos os papeis masculinos da peça.

“A peça é um pouco da nossa vida”, diz Beatriz. “Não tem pessoa melhor pra dividir o palco comigo que minha melhor amiga e não tem assunto melhor que a nossa própria amizade.” Tóxicas é auto-ficcção, como a atriz explica, “partimos de algumas vivências reais, e criamos situações para fazer o público rir e se identificar”.

A vulnerabilidade, o exagero, os erros, os absurdos e o ridículo são elementos presentes, trazidos da palhaçaria e que ajudam a contar a história. “A técnica nos permite transformar essas fragilidades em humor”, diz Beatriz.

Com linguagem contemporânea, ritmada e forte identificação com o público, “Tóxicas” propõe uma reflexão bem-humorada sobre os vínculos afetivos que construímos ao longo da vida.

No bar, na aula de bike velocity ou na sessão de terapia, as personagens vivem situações absurdas, conflitos cotidianos e tentativas desesperadas de recomeço até enfrentar um processo de transformação que coloca em xeque a própria ideia de amizade.

“Ao abordar esses temas de forma leve e acessível, o espetáculo cria pontes de identificação com o público e promove reflexão sem abrir mão do entretenimento. “Mais do que expor as fragilidades e contradições das relações, a peça também celebra a amizade como espaço de acolhimento, apoio e transformação, reforçando uma ideia simples e potente: no fim das contas, quem nos salva são os nossos amigos”, elabora Rubia.

Tema: amizade

As amizades são comumente abordadas como elementos anexos em uma narrativa e raramente ocupam como temática central a dramaturgia contemporânea. “Existem muitos tipos de amizade, e se você tiver muita sorte nessa vida, você vai encontrar em algum momento uma pessoa que para além de amigo, você a tem como sua familia, uma extensão de você, que te lembra do porque rir é tão bom, não a pessoa que você volta depois de um termino mas a pessoa pra quem voce volta sempre, eu tive essa sorte e montei uma peça com ela pra gente falar disso”, fala Rubia.

Na peça elas mostram essa contradição. São duas mulheres que se amam profundamente e correm o risco de estabelecer relações de dependência. “Queremos falar sobre a importância dessas amizades sem idealizá-las. O afeto pode co-existir com conflitos. Nem sempre é um relacionamento amoroso que salva você, muitas vezes é sua alma gêmea de vida, sua irmã de caminhada, sua melhor amiga. A amizade pode ser tão intensa e transformadora quanto qualquer relacionamento amoroso”, ressalta Beatriz.

Regionalidades

A peça também incorpora as regionalidades das atrizes, com referências ao Pará, terra de Rúbia Abati, e a Pernambuco, origem de Beatriz Fonseca. A questão é apresentada de forma bastante afetiva. “Porque nós duas carregamos nossas terras natais na nossa maneira de falar, de brincar e de enxergar o mundo. Eu sou recifense, Rúbia é de Belém, e esse encontro entre Norte e Nordeste, que aconteceu aqui em São Paulo, também faz parte da identidade da peça”, comenta Beatriz.

“A gente traz referências, sotaques, expressões e características das nossas origens de forma muito natural, sem que isso seja só um recurso cômico. Um exemplo é a cachaça de jambu, que levamos para a cena como uma referência à cultura paraense, trazendo um pouquinho da terra da Rúbia para o palco. É uma maneira de homenagear de onde viemos e mostrar como essas raízes continuam presentes mesmo quando a vida nos leva pra longe de casa”, diz, revelando que nas sessões o público será brindado com dose de cachaça de jambu.

Sobre a encenação

Na direção, André Pottes aposta em uma linguagem contemporânea, dinâmica e acessível, combinando humor com momentos de vulnerabilidade emocional e a vida cotidiana. A estrutura dramatúrgica alterna cenas de alta energia cômica com momentos mais intimistas e sensíveis, nos quais as personagens compartilham suas inseguranças, medos e contradições diretamente com o público.

A montagem prioriza o processo, englobando a construção da relação entre as atrizes, valorizando a química em cena e o ritmo da narrativa, juntamente com a construção de dramaturgia. A montagem utiliza cenografia minimalista e enxuta com elementos de fácil adaptação, tornando o espetáculo adaptável para diferentes espaços e formatos de apresentação.

Sinopse

Duas amigas tentam celebrar oito anos de amizade e enfrentam todas as problemáticas da vida cotidiana as afastando. Para recuperar aquilo que tanto falta, decidem organizar uma viagem de reconexão que acaba levando ambas por outros caminhos. Tóxicas é uma comédia sobre amor, não aquele romântico que a gente volta no final do dia, mas aquele para o qual a gente retorna sempre.

 Serviço

TÓXICAS – comédia teatral

Dias 7 e 8 de novembro | Sábado às 20h, Domingo às 19h

Teatro Commune - Rua da Consolação 1218, Consolação, São Paulo – SP.

Capacidade – 96 lugares por dia. Duração – 1h10 min. Classificação - 14 anos.

Ingressos – R40,00(meia)lR50,00 + 1kg de alimento não perecível (ingresso solidário) e R$80,00 (inteira).

Obs: O alimento arrecadado será destinado ao Instituto Usina dos Atos, que desenvolve ações de formação artística e sociocultural com crianças e adolescentes.

A doação deverá ser entregue na entrada do espetáculo.

  

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